“o complexo ‘aparelho-operador’ (…) é caixa-preta e o que se vê é apenas input e output, o canal e não o processo codificador que se passa no interior da caixa-preta. Toda crítica da imagem técnica deve visar o branqueamento dessa caixa. Dada a dificuldade de tal tarefa, somos por enquanto analfabetos em relação às imagens técnicas. Não sabemos como decifrá-las.”
“O fotógrafo manipula o aparelho, o apalpa, olha para dentro e através dele, a fim de descobrir sempre novas potencialidades. Seu interesse está concentrado no aparelho e o mundo lá fora só interessa em função do programa. Não está empenhado em modificar o mundo, mas em obrigar o aparelho a revelar suas potencialidades. O fotógrafo não trabalha com o aparelho, mas brinca com ele.”
“(…) o fotógrafo crê que está escolhendo livremente. Na realidade, porém o fotógrafo só pode fotografar o fotografável, isto é, o que está inscrito no aparelho. E para que algo seja fotografável, precisa ser transcodificado em cena. O fotógrafo não pode fotografar processos.”
“Filosofia de Caixa Preta: Ensaios para uma futura filosofia da fotografia“, de Vilém Flusser.
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